Saturday, September 02, 2006

Bernardo, Paula e Tobé

A minha campanha de desinformação sobre a boa vida em moçambique está a começar a dar frutos! É tudo esquema para me trazerem prendas e bacalhau!
Julgavam que vinham para cá comer marisco, beber laurentinas, cavalgar na savana ao pôr-do-sol, curtir belas praias desertas, passear de Land Rover, fotografar leopardos, elefantes, girafas, zebras, hipos, rinos e afins?
Eh! Eh! Eh!

Bernardo:

Paula:


Tobé (Bisneto do João Albasine, esse grande visionário portuga que estabeleceu o primeiro entreposto comercial entre o povo autóctone e os colonos na região onde é agora o Kruger National Park! Mesmo alegando veemente este facto, não o deixaram passar nos portões do parque sem pagar) :

Já conhecedores de outras latitudes africanas, aposto que ficaram loucos apaixonados por esta!

Muito obrigado pela visita. Já que o ICEP não deixa ir a casa, é sempre óptimo receber cá um bocadinho de Portugal!

Thursday, August 31, 2006

Bom augúrio!

No forum de http://www.maputo.co.mz/

O escritor moçambicano, MIA COUTO também licenciado em Medicina e Biologia, fez uma oração de sapiência, em 7 de Março, na abertura do ano lectivo do Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique. Excertos desta oração foram publicados no Courrier Internacional, nº. 0, de 2 de Abril. Gostaria de destacar, Os Sete Sapatos Sujos: "Não podemos entrar na modernidade com o actual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei Sete Sapatos Sujos que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico:
Primeiro Sapato - A ideia de que os culpados são sempre os outros;
Segundo Sapato - A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho;
Terceiro Sapato - O preconceito de que quem critica é um inimigo;
Quarto Sapato - A ideia de que mudar as palavras muda a realidade;
Quinto Sapato - A vergonha de ser pobre e o culto das aparências;
Sexto Sapato - A passividade perante a injustiça;
Sétimo Sapato - A ideia de que, para sermos modernos, temos de imitar os outros."

O primeiro sapato: A ideia que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre vítimas. Nós já conhecemos este discurso. A culpa já foi da guerra, do colonialismo, do imperialismo, do apartheid, enfim, de tudo e de todos. Menos nossa. É verdade que os outros tiveram a sua dose de culpa no nosso sofrimento. Mas parte da responsabilidade sempre morou dentro de casa. Estamos sendo vítimas de um longo processo de desresponsabilização.
Esta lavagem de mãos tem sido estimulada por algumas elites africanas que querem permanecer na impunidade. Os culpados estão à partida encontrados: são os outros, os da outra etnia, os da outra raça, os da outra geografia.
Há um tempo atrás fui sacudido por um livro intitulado Capitalist Nigger: The Road to Success de um nigeriano chamado Chika A. Onyeani. Reproduzi num jornal nosso um texto desse economista que é um apelo veemente para que os africanos renovem o olhar que mantém sobre si mesmos. Permitam-me que leia aqui um excerto dessa carta.

Caros irmãos: Estou completamente cansado de pessoas que só pensam numa coisa: queixar-se e lamentar-se num ritual em que nos fabricamos mentalmente como vítimas. Choramos e lamentamos, lamentamos e choramos. Queixamo-nos até à náusea sobre o que os outros nos fizeram e continuam a fazer. E pensamos que o mundo nos deve qualquer coisa. Lamento dizer-vos que isto não passa de uma ilusão. Ninguém nos deve nada. Ninguém está disposto a abdicar daquilo que tem, com a justificação que nós também queremos o mesmo. Se quisermos algo temos que o saber conquistar. Não podemos continuar a mendigar, meus irmãos e minhas irmãs.
40 anos depois da Independência continuamos a culpar os patrões coloniais por tudo o que acontece na África dos nossos dias. Os nossos dirigentes nem sempre são suficientemente honestos para aceitar a sua responsabilidade na pobreza dos nossos povos. Acusamos os europeus de roubar e pilhar os recursos naturais de África. Mas eu pergunto-vos: digam-me, quem está a convidar os europeus para assim procederem, não somos nós? (fim da citação)

Queremos que outros nos olhem com dignidade e sem paternalismo. Mas ao mesmo tempo continuamos olhando para nós mesmos com benevolência complacente: Somos peritos na criação do discurso desculpabilizante. E dizemos:
- Que alguém rouba porque, coitado, é pobre (esquecendo que há milhares de outros pobres que não roubam);
- Que o funcionário ou o polícia são corruptos porque, coitados, tem um salário insuficiente (esquecendo que ninguém, neste mundo, tem salário suficiente);
- Que o político abusou do poder porque, coitado, na tal África profunda, essas práticas são antropologicamente legitimas...

A desresponsabilização é um dos estigmas mais graves que pesa sobre nós, africanos de Norte a Sul. Há os que dizem que se trata de uma herança da escravatura, desse tempo em que não se era dono de si mesmo. O patrão, muitas vezes longínquo e invisível, era responsável pelo nosso destino. Ou pela ausência de destino. Hoje, nem sequer simbolicamente, matamos o antigo patrão. Uma das formas de tratamento que mais rapidamente emergiu de há uns dez anos para cá foi a palavra “patrão”. Foi como se nunca tivesse realmente morrido, como se espreitasse uma oportunidade histórica para se relançar no nosso quotidiano. Pode-se culpar alguém desse ressurgimento? Não. Mas nós estamos criando uma sociedade que produz desigualdades e que reproduz relações de poder que acreditávamos estarem já enterradas.
PARA OS OUTROS SAPATOS, VER O FORUM MAPUTO.CO.MZ

Monday, August 21, 2006

>>>MANITO!<<<


Durante o último mês tive cá a visita do meu manito!
Foi muito bom! Pena não ter tido férias para ir com ele na mega viagem de machibombo pelo país...

Até já miudo!

Monday, August 07, 2006

Ti'Campos!!!

Depois de um belo jantar oferecido pelos amigos fred, filipa, carla e nuno (tb contactos@moz) e de uma noite linda que meteu anões, finlandesas anoréxicas, xanatos cor de rosa e violinistas insanos, eu e o outro survivor – o meu amigo miguel AKA fumassa lá relaxamos no nautilus para tomar o pequeno almoço (o facto de não termos dinheiropara pagar é um pormenor secundário...). Só há tempo para ir a casa fazer a mala, tomar um duche e arrancar com o Imortal rumo à quinta do ti'campos onde tínhamos combinado ir passar o fim de semana sob pretexto de uma caçada nocturna. Entre missões exploratórias aos 1200 hectares de savana e mangal nas margens e foz do rio Maputo, futeboladas, voltas de moto, amasso de pão, belos repastos e um pôr do sol lindo junto à toca de uma enorme jibóia que aparentemente é uma bem disposta lá chegou a noite e a esperada caçada. Confesso que dispensava a parte dos tiros, mas ok... 2 horas às voltas de 4x4 pela savana com focos e espingardas xpto resultaram no padecimento de 2 lebres... à catanada... mas não sem antes o Batar e o Rui fazerem as rezas muçulmanas. Menos mal…
O domingo prosseguiu com os mimos do ti'campos até que pelas 15horas telefona a ana dos medicos del mundo que também tinha ido para aqueles lados passar o fim de semana com o marido. Carro avariado (mitsubixo...)!
Por acaso tinha comentado na sexta que ia estar por perto... Suerte!
Lá arrancámos cheios de moral com uma corda para rebocar nuestros hermanos. Afinal não estão tão perto como julgamos mas lá chegamos.

Devido a uma falha grave de concepção, tinham o filtro de óleo furado... reunida uma trupe de engenheiros lá tentamos remendar o filtro com o seguinte material à disposição:
um preservativo, cartão, super-cola3, fita americana e uma tira de borracha de câmara de ar. Lindo! Enquanto eu disserto sobre o valor da pressão que o óleo deve ter naquele ponto lá se monta o filtro. Todos a fazer figas! A ana dá 'start' e... FUNCIONA! O fantástico remendo africano consegue aguentar! O único problema é que só aguentou uns... 5 segundos...

"mierda..." "puta madre... lá mierda del coche..." Teve de ser reboque mesmo! A viagem decorreu sem grandes histórias (fora a corda volta e meia partir) e 5 horas mais tarde estávamos de volta ao refugio do ti'campos.
Queres aventura? Toma lá!

OBRIGADO DAVID!!!

Imaginem que amam andar de moto.
Imaginem que durante 10 anos andam de moto praticamente todos os dias.
Imaginem que já fizeram km suficientes para dar mais de três voltas ao planeta Terra e mesmo assim continuam a querer mais.
E agora imaginem que de repente... pufff... estão 6 meses em jejum...
Um homem não é de ferro, estava a começar a bater mal...

Thursday, August 03, 2006

jorge!

Mais uma lição... a partir de agora, sempre que vá para um novo emprego ou para um novo país (excepto italia ou brasil) vou utilizar o meu segundo nome, a saber: jorge.

Estou cansado de ter de dizer mil vezes o meu nome e mesmo assim raramente atinarem com ele... arnato, reinaldo, ..., ...
Cá em moçambique o problema é que eles nunca usam o 'R' carregado, ou seja, ficam loucos quando digo RRRenato. O melhor que consiguem é erénato... já não é mau...

Monday, July 31, 2006

BALEIAS!!!

Este fim de semana fomos todos para o Bilene! O amigo JP fazia anos e a somar a isso era o último fim de semana do lodge (aquele fantástico do lado de lá da lagoa) sob gestão do grupo girasol. O amigo e por acaso também director do grupo fez nos o apelo... "caros, é preciso acabar com os stocks..." a partir daí... soltem a imaginação!
A cereja no topo do bolo (além do estado de graça - leia-se álcool - em que estava o capitão botte na noite de sábado) foi chegar à praia no domingo de manhã e ter duas baleias a passear pelo Índico mesmo à nossa frente! Lindo!

foto sacada da net pq tinha deixado a máquina do quarto e alem disso nunca teria objectiva para chegar tão perto...

Wednesday, July 26, 2006

o charme...

vão ter de me perdoar, mas agora durante uns tempos o meu imortal vai dominar as fotos no blog... digam lá, tem um charme máximo não tem?
lembrem-se que estamos a falar de tecnologia dos anos 60/70...


um verdadeiro icone africano!

novo job!

depois de vários filmes, estou há duas semanas no novo job!
o trabalho é motivante, a área interessa-me e as pessoas são boas! tasse bem!


na foto vê-se um dos nossos navios durante a sua regular escala de 24 horas no porto de maputo.

Tuesday, July 18, 2006

O IMORTAL!


Bom, por onde começar... o chassis tá podre, a porta do condutor está segura pelo forro, abre-se em andamento e não tranca, a caixa de velocidades mete dó, o servo dos travões não funciona, a direcção tem quase meio volante de folga, as molas são duras como cornos, gasta uns 16 litros aos 100 de gasolina super, só faz 2 piscas, não tem escova de limpa vidros do lado do condutor, não tem macaco nem chave de rodas, tem 2 depositosde gasolina (pudera) mas só um funciona, não marca kilometros, mas sim milhas e mesmo assim não funciona, deve chover lá dentro comó raio, só tem uma luz atrás, tem mossas, riscos e vidros partidos mas...é um Land Rover, é lindo, vamos correr esta áfrica austral toda e tou maningue feliz!

Wednesday, July 12, 2006

dias perfeitos...

Hoje esteve um daqueles dias lindos! Céu azul, temperatura amena, paz!
Ao fim do dia recebi um telefonema a avisar que tinha uma encomenda para levantar nos correios. Voei para lá e passada quase uma hora (nada mal!) lá tinha o esperado "pack saudade" nas mãos! Mesmo indo a caminhar pela confusão da baixa de maputo ao lusco fusco, não resisti e fui abrindo a caixa. Só já confortavelmente instalado no chapa (hiace com mais 20 pessoas) é que efectivamente abri a caixa de mimos acabada de chegar. Momento do dia: eu, num chapa à pinha a buzinar pelo caos da 24 de julho, calmamante a saborear um bolinho de canela com um enorme sorriso! Lindo!

A todos os amigos em geral e à rute, artur, nuno, ricardo, ju e toda a "crew" da figueira em particular um grande "MUITISSIMOS OBRIGADOS"! ;-)

Colombo, revisto e alterado! por: elisa santos

“Porque é que um ovo posto a girar na horizontal acaba por ficar de pé?” Assim começa o artigo que revela que dois cientistas – um matemático inglês e um físico japonês – explicam o segredo. Segundo a revista, a fricção é a chave do mistério. “A energia do ovo em movimento traduz-se numa força horizontal que puxa o ovo para a posição vertical” e, continua dizendo, “é preciso haver uma certa derrapagem entre o ovo e a superfície. (…)irregularidades na superfície fazem com que o ovo dê saltinhos que acabarão por pô-lo de pé.” Não fala o artigo do que acontecerá se o atrito for demasiado. Pode contudo adivinhar-se. Quebra-se o ovo, perde a forma e não poderá voltar a rodar, correndo mesmo o risco de, assim danificado, vir a apodrecer.

Sinto-me um ovo que gira frenético. Saltito, eu também, nas diferenças que vão atritando a minha casca. Roça o clima e a paisagem na minha pele e há um ardor que me diz da estranheza do corpo. Roçam também os olhos frente a peles de outras colorações, a outros hábitos de manejar os hábitos, as salivas e as palavras. Em todo este atrito o sobressalto é a única constante. Esta dança, uma espécie de polka russa, tem o ritmo do coração. Avanços e recuos fazem os dias da entrega a que muitos chamam inculturação. Se o ovo chorasse, será que lhe veríamos lágrimas de inquietude, de insegurança e de vertigem? Depois de estar em pé, será que o assolam as saudades do outro tempo, da anterior postura? Das invisíveis cicatrizes que ficam na casca do ovo não falam os cientistas, mas quando me detenho com mais cuidado na observação da minha pele, encontro-lhe uma cartografia diferente da que havia antes de começar este bailado que, parecendo um solo, está povoado de corpos.

“Mas porque é que uma equipa de cientistas, cada um em seu ponto do globo, passaria pelo menos quatro anos de volta de um ovo cozido?” Estudo da dinâmica dos corpos em movimento, das condições em vácuo, da microgravidade… Creio que se esconde, por timidez ou decoro, a verdadeira razão. A de derrotar a teoria de Colombo e admitir que descobrir um Novo Mundo é mais que uma travessia. É um desassossego. Não se pode pegar num ovo, achatar-lhe uma das pontas e dizer que está em pé. É preciso que ele roce, raspe e se entregue ao movimento, intenso e certo, para que enfim se erga. Terá contudo que ser um ovo cozido (curtido já por algumas efervescências e ebulições!), caso contrário “o líquido no seu interior absorverá a energia, evitando assim que ascenda”. Assim dizem os cientistas.

Thursday, July 06, 2006

aos bombeiros!

Embora longe, não me esqueço de vós.

Só nós é que sabemos o que é sair sucessivamente de uma cama quente para o frio e chuva das madrugadas de Inverno.

Só nós é que sabemos o que é lidar com os que acabaram de sofrer perdas indizíveis.


Só nós é que conhecemos a sensação acre na garganta e o ardor nos olhos de andar dias a fio, armados em Davides, a combater poderosos Golias bem alimentados por um país parolo.


Só nós…
Só nós…
Sempre e orgulhosamente nós!

Forte abraço

Tuesday, July 04, 2006

ilha de moçambique

top! nunca tinha tido tanta dificuldade em escolher umas fotos para o blog... por mim punha todas, mas dá muito trabalho...


este gato era um dos poucos utentes do hospital, em estado avançado de degradação


a fortificação portuguesa é espectacular - a melhor conservada do hemisfério sul





as crianças são incriveis na ilha, aos montes e sempre com grandes sorrisos

Monday, July 03, 2006

haemorrhoid hill e outras pérolas do lesotho!

Vista que estava a neve, rumámos a Maseru, capital do Lesotho. Objectivos: resgatar a Sandra – amiga da Filipa que estava no aeroporto há 7 horas à nossa espera e conhecer um pouco mais do país. Pelo caminho apercebemo-nos que o pequeno país efectivamente de pouco mais vive do que da exportação de água e energia… industria? Turismo? Nada. Agricultura? Tem visíveis problemas devido à erosão dos solos… Como o Lesotho é um país 100% montanhoso (Em todo o mundo é o país com a cota mínima mais alta! Todo o país fica a cima dos 1000m!) e a precipitação é elevada, os solos férteis são levados deixando em muitos locais a rocha nua ou então pequenos “grand canyon” que impossibilitam a lavoura agrícola.
Entretidos com estas observações e com discussões sobre os políticos tugas, chegamos a Maseru e um misto de desilusão com vontade de rir invade-nos a alma. “É isto a cidade capital?” Maseru é mais umas daquelas pequenas cidades tipo standard uniforme padrão sul africano. Terrível… às 21 já não arranjamos nenhum restaurante onde comer e o meu Lonely Planet recomenda o KFC como o melhor restaurante na cidade… não sabemos se havemos de rir ou chorar…
Resolvemos tratar-nos com um bom hotel e no dia seguinte avançámos pelo interior do país até à famosa sani pass – temerária fronteira para a áfrica do sul, onde em 8km a estrada desce 1000 metros e onde passamos em locais com os nomes: big wind corner, suicide bend, hairpins base, wisky spring ou haemorrhoid hill! Sugestivo não acham?
Arrancámos antes das 8 da manhã e estávamos a contar correr os 300km até à fronteira até à hora de almoço. Não podíamos estar mais errados… poucos km depois de sairmos de Maseru o asfalto acaba e começa a estrada de montanha em terra batida, pedras, neve… “ui…” pensámos alto. Resultado, a viagem foi linda de morrer, passámos em zonas super remotas, a mais de 3000m e vimos o Lesotho real: agreste, puro…no entanto, as últimas 2 horas foram uma correria e uma boa esfrega para a ranger 4x4… tínhamos de chegar à fronteira até ás 16.30, hora em que fechava e nos deixava a dormir no carro (o que havia de ser lindo com o frio que estava…). Os 40 minutos que costuma demorar a sani pass, nós fizemos em 20, mas chegámos ao posto com o relógio a bater nas 16.30, com os amortecedores em brasa de tanto buraco e a cabeça dorida de tanta cabeçada… ufaaaaa
O resto da viagem pela africa do sul foi surreal… não faltou nada: bateram-nos por trás em Durban, fomos assaltados perto de Richards Bay e ainda tivemos problemas na fronteira por falta de um papel qualquer do carro… safa… não faltou nada. Mais mortos que vivos lá chegamos a Maputo, praticamente com um dia de atraso mas com várias aventuras para contar! Venha a próxima!
A montanha que se vê no centro da foto foi o local onde os basotho primeiro de fixaram e foi a sua forma que deu a ideia para o chapeu que se tornou o simbolo do país. Há mais um monte de histórias, lendas e afins sobre a montanha, mas acho que não vos devem interessar muito.

Wednesday, June 28, 2006

OUT OF AFRICA

Pouco falta para as 10 da manhã. Os 0º de temperatura não ajudam ao nervoso miudinho que sinto quando atabalhoadamente estalo os skis nas botas. Como já estão a perceber não vos vou falar de um famoso filme, mas de um dia muito peculiar. À minha frente está uma das únicas (há outra em Marrocos não é?) pistas de ski de África e com o estalar dos skis começa um dia tudo menos africano. Skis e snowboards passam e saltam à minha volta felizmente indiferentes a uma figura que eu “eufemizaria” como cómica… a minha! Entre as quedas e gargalhadas típicas de quem está em cima de skis pela primeira vez vou confirmando as minhas suspeitas, os sul africanos são autenticas aves migratórias que ora invadem Moçambique com barcos e jet skis ora as montanhas do Lesotho equipados a rigor para a neve. O elo comum: sofisticados 4x4 e muito barulho. Crianças e adultos, homens e mulheres, todos loiros e de olhos claros berram em inglês e afrikaans (espécie de mistura de holandês com alemão). Resultado… sinto me em qualquer ponto do mundo menos em África.
Voltando à minha pessoa, decido ao fim da manhã deixar as crianças descansadas e avançar para a pista dos crescidos! Caio, caio, caio e volto a cair, mas ao fim do dia já consigo ter algum controlo… travar, curvar com os skis +- paralelos e andar no puxa rabos como um profissional! Mais um vício. E logo eu que já tinha poucos…
Confesso que já tinha saudades do frio! E aqui o frio é a sério. Durante a noite a temperatura entra bem nos negativos e até o gasóleo dos carros congela nos tubos. Que bem que sabe tomar um banho bem quente, estar à lareira e de seguida dormir sob o peso de 6 cobertores!

o orlando no dominio!

eu e o osvaldinho! o gajo que teve mais paciência para me ensinar!

a fiwipa sempre preocupada com a nossa integridade fisica!

Thursday, June 22, 2006

Thursday, June 15, 2006

4 meses...

“Moçambique estranha-se e depois entranha-se” dizem-me os que escolheram cá ficar mais uns anos após uma primeira experiência. Será que vai ser assim comigo? Eu nunca estranhei Moçambique, melhor, estranhei, mas foi pela positiva. Já estava habituado ao caos africano, já sabia o que isso era, já tinha tentado desenvolver algo em África (para África) e já conhecia as barreiras “ the usual suspects”, já conhecia a liberdade (que certas pessoas às vezes confundem com libertinagem…) de não viver rodeado de normas, regras e padrões. Eu estranhei Moçambique pelo ambiente “cool”, pelo nível de vida possível (embora apenas para uma minoria, mas isso é outra discussão), etc. Raios, até um restaurante japonês com bom nível há em Maputo…
Agora a questão é: como não estranhei, será que se vai entranhar? Dizem mais uma vez os entendidos que só se sente verdadeiramente a falta de Moçambique quando se regressa a Portugal. Dizem que tudo parece superficial e fútil, dizem que as pessoas em geral fazem perguntas, sem realmente querer saber, dizem um monte de coisas que para mim que amo Portugal e tenho lá todos os que amo não fazem muito sentido… vou esperar para ver…

Para quem quer considerar ficar cá mais uns tempos a trabalhar, Moçambique e nomeadamente Maputo oferece boas condições e excelentes oportunidades, mas… a distância às vezes é asfixiante. A trabalhar em qualquer parte da Europa os voos para pt são frequentes, rápidos e baratos, agora aqui… só há voos de vez em quando, nem sempre há vagas, os preços são um exagero e mesmo depois de nos conseguirmos meter num avião, ainda são 10 ou 11 horas (ou mais caso vá por jo’burg) de seca. Esta distância bate forte principalmente quando acontece algo em pt que nos faz querer estar lá imediatamente… acidentes, doenças, discussões…
Meus amigos, isto é tudo muito giro, mas estar do outro lado do mundo, de cabeça para baixo no hemisfério sul, por vezes é muuuuito duro. Para todos. Aqui não há heróis. Há fugidos, há malucos e os outros, os “normais”, sofrem.

Sunday, June 11, 2006

dia de portugal? nahh... festa da peruca!

Conseguem imaginar melhor maneira de celebrar e digníssimo dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas do que uma festa da peruca? Nos também não!
Os filhos do Maputo idealizaram, convidaram e executaram a um nível que envergonha certas recepções embaixadorescas...
Mais uma vez as fotos falam por si!











A organização: Filipas, Maria, Susana, Miguel e mim agradece a todos os presentes e em especial ao DJ Simão e ajudantes!