Friday, November 03, 2006

dancing for sweeties - por: elisa santos


Do barco à praia há uma estrada. Percorre-se uma língua de areia e pântano que separa o rio do mar e que nos há-de mostrar o Índico, orlado de areia fina e casuarinas

A estrada é má, muito má!
A estrada tem buracos fundos, crateras, que em tempo seco se tornam ultrapassáveis, mas que ao primeiro sinal de chuva se tornam tão pantanosos como os campos que ladeiam a estrada.

Mais à frente a estrada é de areia. Areia fofa, onde se enterram os pneus e de onde só tractores e carros potentes, de tracção às quatro rodas, manejados por condutores experientes, conseguem sair.

A estrada má esconde pequenos caminhos que levam a aldeias de gente que não tem carro e que calcorreia a vida e a estrada a pé. Gente negra, de pele curtida pelo sol, de olhar empoeirado pela areia, pelo sal, pelo sol e pela pobreza, coisas próprias do sítio onde vive.

Na estrada má apenas se distingue uma construção que deixa ler, de forma baça, o nome de uma loja. Desfeita por muitos dias, indefinida entre a ruína e a ainda existência é coerente também na sua função. É uma loja, indefinida entre a ruína e a ainda existência, que serve a gente que mora nas aldeias escondidas.

A estrada má não tem vergonha.

Tem muito trânsito ao fim de semana. Carros bonitos, potentes, de marcas conhecidas, cheios de gente feliz que se arrisca na aventura da lama e da areia para expor o corpo ao sol e ao mar. Nos carros viajam pessoas claras, brancas de pele e de cuidado, com os olhos brilhantes de excitação, de desejo de mais paisagens e de fartura, coisas próprias do sítio onde vivem.

Os negros que moram nas aldeias escondidas da estrada má e as pessoas claras que viajam de carro, têm uma enorme cumplicidade e vivem o equilíbrio de um ecossistema.

Os negros pedem boleia, e se lhes recusam eles equilibram-se, à revelia e de forma camuflada, na traseira dos carros bonitos, potentes, de marcas conhecidas.

As pessoas claras enchem-se do fascínio da existência dos negros e assim apanham boleia nas vidas deles para se sentirem a viver na rudeza e na agressividade do meio.

A estrada má não tem vergonha.

Exibe um espectáculo, de nome internacional, especialmente preparado, e que sustenta o equilibrado ecossistema das dunas e pântanos.

Dancing for sweeties começa logo depois dos primeiros metros de aventura, a seguir aos primeiros buracos profundos. Na beira da estrada espalham-se, ora à esquerda, ora à direita, grupos de ágeis bailarinos, mínimos de idade e de corpo, que fazem movimentos ondulantes, africanos, tribais. Não tem o espectáculo outra música que não seja a do motor dos carros bonitos, potentes, de marcas conhecidas; o ritmo é secreto, só percebido pelos bailarinos, que com os pés vão levantando a poeira que lhes caracteriza o olhar, o corpo e as roupas encardidas e desfeitas. Mas tem letra! Simples e facilmente inteligível: “sweeties, sweeties…”

O espectáculo desenrola-se depois com uma corrida dos bailarinos ao lado dos carros, gritando a letra, e com a participação das pessoas claras, brancas de pele e de cuidado, com os olhos brilhantes de excitação, que vão atirando doces e bolachas pelas janelas dos carros bonitos, potentes, de marcas conhecidas.

Na estrada má, que não tem vergonha, de vez em quando surgem outros artistas que tentam a sua sorte, uma espécie de espécie menor que tenta sobreviver no ecossistema.

São artistas mais velhos, de carreira já terminada, cujo número é tapar as crateras da estrada com pedaços de lama, e por tal pedem sweeties, other sweeties . Ou outros ainda, que fazem lembrar atracções de circo decadente, que expõem mazelas na esperança de que os aplausos surjam em forma de quaisquer sweeties.

Quando a estrada má termina na praia, estacionam-se os carros bonitos, potentes, de marcas conhecidas, e a gente feliz ocupa a praia. Os negros já não dançam, a reprise será mais tarde na hora de regresso a casa, pela estrada má.

Eu, que viajo num carro bonito, potente, de marca conhecida, acompanhada por pessoas brancas e de pele clara, pressinto o sabor amargo que nos invade a boca e nos raspa a língua. Os olhos que seguem ao meu lado cravam-se nos meus e respondo-lhe:
“I hate dancing!
I hate sweeties!”

às cambalhotas numa roleta russa...

Porque é que nós temos a maldição do poder de decisão?

Não era tudo muito mais fácil se nos limitassemos a seguir o que aparece, instintivamente e sem pensar?
Não... as nossas mentes são estimuladas desde pequeniiiiiinas para analisar tudo, ver vantagens e inconvenientes, pesar e ponderar, custo/beneficio, buscar sempre o melhor, pensar por nós, pensar pelos outros, pensar pelo mundo... arrrgggghhhhhh...

Batalhamos, conseguimos, ganhamos, perdemos, irritamo-nos, superamos, afundamos, triunfamos.
Mas e se “x”? Então “y” , mas depois, como é, ou não é? E se, se, se ...

Sortudos dos que têm a vida clara à frente dos olhos!

Sunday, October 29, 2006

a voz das ruas

carregar em play, ligar o som e esperar!

Monday, October 23, 2006

Tubarão-Baleia

Saberão os entendidos, que uma das melhores coisas que se pode fazer em Moçambique é mergulho.

Dentro do mergulho, uma das mecas é o Tofo onde se pode ver o famoso Tubarão-Baleia, o maior peixe do mundo.
9 horas de Machibombo a aturar pessoal a verter águas para latas e a levar banhos de espinhas de peixe (longa história...) valeram a pena!

Mergulhei com os famosos tubarão-baleia, mantas (liiindas também), tartarugas gigantes, etc. UM LUXO!

Fotos e texto da net:

The whale shark is a the biggest shark and the biggest fish. It is NOT a whale. It has a huge mouth which can be up to 4 feet (1.4 m) wide. Its mouth is at the very front of its head (not on the underside of the head like in most sharks). It has a wide, flat head, a rounded snout, small eyes, 5 very large gill slits, 2 dorsal fins (on its back) and 2 pectoral fins (on its sides). The spiracle (a vestigial first gill slit used for breathing when the shark is resting on the sea floor) is located just behind the shark's eye. Its tail has a top fin much larger than the lower fin.
The whale shark has distinctive light-yellow markings (random stripes and dots) on its very thick dark gray skin. Its skin is up to 4 inches (10 cm) thick. There are three prominent ridges running along each side of the shark's body.
This enormous shark is a filter feeder and sieves enormous amounts of plankton to eat through its gills as it swims.

The whale shark is up to 46 feet (14 m), weighing up to 15 tons. The average size is 25 feet (7.6 m) long It is the largest fish in the world. Females are larger than males (like most sharks).

Thursday, October 19, 2006

pérolas de moçambique

há muuuuitas! infelizmente não costuma haver é máquina à mão...

 

Lindo não é? Posted by Picasa

Monday, October 16, 2006

tou apaixonado!

Estou apaixonado…

… por uma japonesa de 13 anos!

Já nos conhecíamos e até já tínhamos dado umas voltas, mas foi este indescritível fim-de-semana, que ditou a sentença. Apaixonado!
Pelo comportamento dela penso que foi mútuo!

Depois de umas horas de Google Earth fomos os dois explorar in loco a região da Ponta do Ouro, Ponta Mamoli, Malongane e a região de Kosi Bay, já em plena Zululand na África do Sul.
Trilhos de areia solta, junto a lagos com hipopótamos e crocodilos, planícies de cortar a respiração com impalas a pular ao nosso lado e macacos a correr pelas bermas. Baías liiiiindas com lodges remotos, desconhecidos do turismo de massas e perfeitos para uns dias de relax.

OBRIGADO SR. GEBUZA*, OBRIGADO SR. HONDA** E MAIS UMA VEZ OBRIGADO SR. DAVID, MEU SÓCIO***!

* Por manter aquela região estrategicamente inacessível através de estradas péssimas para automóveis.
** Por idealizar e desenvolver tão perfeita máquina de prazer.
*** Por me disponibilizar a moto!

Segue-se sessão fotográfica!

 
cá está ela, no aperto do batelão para catembe

 
a entrada no batelão é sempre uma aventura! aqui o chefe, coordena a sessão de manobra em peso para encaixar o carro nos centimetros quadrados livres!

 
  Posted by Picasa



Abby e Kovu, os meus anfitriões de 14 e 2 anos respectivamente no maior lago da região de Kosi Bay. Reza a lenda e comprovam as pegadas que os lagos (salgados) têm hipopotamos, crocs e também tubarões. Não é de estranhar assim que seja interdita qualquer actividade proximo da água (excepto quando protegidos pelo Kovu).
o Ray, a Viv e a filha Abby exploram um BB na região. Andava perdido e fui ter ao quintal deles. Foram 100%! Explicaram me tudo sobre a região, etc.
Passo a publicidade: http://www.kosibay.za.net/index.html






Wednesday, October 11, 2006

allahhhh akbar!

Aos que estão em países muçulmanos ou de forte prevalência:

Nos "vossos" países as lojas também estão enfeitadas com motivos ramadanescos e as montras com enormes e coloridos "HAPPY RAMADAN" ou é só em Moçambique?

Acho lindo!

Tuesday, October 10, 2006

érénatinho!

Eis senão quando o incrivel sucede!
Ao fim de 8 meses, deixo uma pegada em África... um Renatinho!

...

...

...

Lá estão as vossas mentes a divagar...

Nada disso. Um colega meu aqui do job, decidiu dar o meu nome ao seu segundo filho!
Fiquei um pouco espantado pois "Renato" é um nome tudo menos comum em Moçambique mas, o Zé parecia bem determinado!

Muitos parabéns, um grande abraço e muitas felicidades para um Moçambicano que só pode vir a ser boa gente com tão belo nome...

;-)

Wednesday, October 04, 2006

MAPUTO BY NIGHT - II


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Saturday, September 30, 2006

Não tentem isto em casa!

Sexta-feira, 11horas da manhã. Surge ao fim de vários meses uma oportunidade de ir a Djabula conhecer o trabalho de desenvolvimento da Fred e Carlota (recém baptizada de fadinha do mato!).
Problema: a amiga e ex-contacto Filipa Simões fazia anos e a noite de sexta prometia… Saída para Djabula, 6 da matina! Djabula? Noitada? Djabula? Noitada? Hummm… ambas! Risco mais uma noite da cama! Durmo depois quando me reformar… Parece fácil de dizer, mas confesso que enquanto preparava a mochila olhei varias vezes para a cama…

Por essa hora das 6 lá estava eu à porta do prédio com uma mochila com água e bolachas às costas, o saco cama numa mão e uma almofada do sofá da sala na outra! Afinal a viagem ia ser na chapa da nissan pick up 4x4 da V.I.D.A.
A primeira hora de viagem, em alcatrão, ainda consegui passar pelas brasas, mas assim que saímos para a picada, os saltos metem-me logo em sentido para mais 2 horas de caminho com várias paragens. Sim, a carrinha, perfeitamente normal no asfalto, assim que entra na terra transforma-se imediatamente em chapa (transporte público) apanhando todos os que viajam no nosso sentido! No momento mais alto, iam perto de 20 almas na carrinha e quase igual número de catanas! É uma questão de defesa – asseguram – e até crianças têm as suas…
O motivo da viagem é acompanhar um especialista em sementeiras ao local onde querem desenvolver uns projectos de desenvolvimento da agricultura (de subsistência) para que a produtividade possa ser maior e assim aumentar os índices de nutrição dos camponeses (estou a falar bem Fred?). Fala-se de espécies melhoradas de feijão nhemba, de mandioca, de amendoim, de milho. Fala-se também de métodos de combate a pragas, da problemática da água (falta dela), da trajectória do sol, de adubos, etc. terminando naturalmente a falar em agricultura biológica. Interessante!
Aproveito para conhecer também o resto do centro, onde a V.I.D.A. desenvolve machambas, um centro de formação, um fundo de fomento com 130 cabeças de gado bovino, um pequeno aviário que luta contra o persistente prejuízo, as futuras instalações de uma “fabrica” de papel feito com fibra de cato, um secador solar para frutas, etc. Ficou por conhecer a escolinha “da” Carlota, mas infelizmente, o meu tempo – ao contrário do de Einstein – não estica.
Espanta-me que o centro esteja construído num local tão remoto, árido e de pobres solos. Um projecto já de si difícil, assim assume dimensões de milagre, mas ao que parece foi o único local onde há uns anos as comunidades locais – desconfiadas que viessem colonizar outra vez – deixaram instalar esta ONG. Agora todos ao redor reclamam direito ao apoio que providenciam…
Vejo também pessoas que andam maratonas todos os dias para ir buscar água, pois onde vivem esta não existe. Naturalmente pergunto: “porque não mudam as palhotas para perto da água e poupam um enorme esforço diário?” não o fazem, porque é ali que estão enterrados os seus antepassados! Grande é para estes lados a força e o respeito pelos antepassados!
Já no regresso, depois de um belo almoço de massa e ovos autóctones a Fred lembra se de comprar 3 sacos de 50kg de carvão… bom, não vos passa o estado em que eu cheguei a casa! PRETO! A poeira do carvão levantada com o vento e pimba… cara, braços e pulmões com ela. Ainda estou a cuspir preto…

Friday, September 29, 2006

efectivamente...


... sou um sortudo (ponto final).

pôr do sol com mamãe no kruger!

super avós!

o meu avô a descobrir depois dos 70 que passou ao lado de uma brilhante carreira como cineasta!

mãe mena a beber inspiração africana para as suas bem sucedidas cerâmicas e fusings!

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Thursday, September 28, 2006

Thursday, September 21, 2006

...

instantâneo de felicidade...

Tuesday, September 12, 2006

Imaginem só...

Imaginem que trabalham de sol a sol muitas vezes sem condições.
Imaginem que até se esforçam e até trabalham bem.
Imaginem que sonham há anos com um aumento que nunca chega.

Imaginem agora que o vosso boss, ganha por dia, o dobro do que vocês ganham por mês.
Imaginem que têm de sobreviver com um salário que não dá hipoteses de uma pessoa se endireitar ou levantar uma familia com o mínimo de dignidade.
Imaginem que para todos os lados que olhem vêm sinais de prosperidade de outros – na maioria dos casos, apenas porque nasceram noutros países, tiveram outras oportunidades ou pura e simplesmente não têm escrupulos.
Imaginem tudo isto a fervilhar em milhões de cabeças mais activistas...


E agora, agradeçam a todos os santos a milagrosa paz que existe em Moçambique e tantos outros países classificados de “em vias de desenvolvimento”...

Penso que tudo poderia melhorar de um modo gradual e sustentável caso existisse por parte dos empresários o hábito (que sinceramente ainda não vi) de REALMENTE recompensar os funcionários bons. Assim, os bons poderiam ter hipoteses de melhorar as condições de vida (o que por incrivel que pareça a quem lê isto na Europa, aqui raramente acontece), poderiam oferecer condições de estudo aos filhos, etc. (a partir daqui - bola de neve...). Os outros, calões, espertinhos, enguias, teriam exemplos a seguir. Actualmente, quer sejas bom ou mau, a miséria é a mesma. E não me venham com o discurso: “Esse gajo é bom! Mas também já ganha 8 milhões...” como se fosse muito... estamos a falar de 240 euros... Não é preciso ter uma mente muito ruím, para chegar à conclusão que assim o esforço não vale a pena...

Monday, September 11, 2006

lá pros lados de pemba...





... 4 dos big five passaram 5 memoráveis dias de mini férias! pemba, pangane, ibo e guludo!

alguns dos pontos altos foram a loucura da viagem em alto mar numa piroga contratada no meio de um mangal para nos levar ao Ibo, ter de apanhar 18 côcos para beber a sua água, pois o fascínio de estarmos isolados numa praia que figura no top 10 das melhores praias selvagens do mundo nos fez esquecer que as nossas reservas estavam em baixo e naturalmente não há onde comprar luso nas redondezas, ficar sem gasóleo, ter um furo e stressar com os atrasados mentais dos policias moçambicanos na corrida de regresso ao aeroporto, etc.

a cereja no topo do bolo foi termos passado estes dias a viajar com 2 novos amigos fantásticos que conhecemos no dia da chegada a pemba! mochileiros daqueles de meses a fio sem rumo bem traçado... um espanhol/belga/marroquino/brasileiro/... e um catalão que só fala castelhano! ambos loucos e excelentes companheiros de aventuras!

algumas fotos:



Posted by Picasa mais um monte de fotos assim que tenha tempo...

Saturday, September 02, 2006

Mais bicharada!

Mais uma ida ao Kruger! Ficam as fotos da bicharada.

zebra a testar os travões!

tão queridos! estão é a vir na nossa direcção... cava!

quem diria que são o animal que mais mata em África a seguir ao mosquito?

havia alguns bichos muito feios, peludos e mal cheirosos!


O Imortal, sempre em grande forma


leopardo a curtir um belo repasto de impala...