Tuesday, May 15, 2007

mistérios das arábias!

Quem é que me consegue explicar o seguinte:

Os árabes escrevem e lêem da direita para a esquerda.
Nós escrevemos e lemos da esquerda para a direita.

Se nós usamos a numeração árabe e não são os árabes que usam a "nossa" numeração, porque é que os números são escritos e lidos da esquerda para a direita?
Imaginam a confusão que deve fazer estar a ler da direita para a esquerda (que já de si não deve ser fácil! ehehehe!) e depois quebrar o fluidez do movimento dos olhos para decifrar números que estão escritos ao contrário? Com números pequenos ainda é fácil, agora com números grandes deve ser - no mínimo - cansativo.

Sunday, May 06, 2007

pontos de vista

Qual é a primeira coisa que vos vem à cabeça quando pensam em África?
Só numa linha, como descreveriam o que é para vocês África?

Obrigado!

*. pensem no que vão responder antes de abrir a caixa dos comentários. para não influenciar...

Monday, April 30, 2007

Saturday, April 28, 2007

Thursday, April 26, 2007

ansiedades partilhadas

Tribal workers
Copyright The Financial Times Limited


A friend of mine recently met a young American woman who was studying on a
Rhodes Scholarship at Oxford. She already had two degrees from top US
universities, had worked as a lawyer and as a social worker in the US, and
somewhere along the way had acquired a black belt in kung fu.

Now, however, her course at Oxford was coming to an end and she was
thoroughly angst-ridden about what to do next. Her problem was no ordinary
one. She couldn't decide whether:

1. she should make a lot of money as a
corporate lawyer/management consultant
2. devote herself to charity work
helping battered wives in disadvantaged communities
3. or go to Hollywood to
work as a stunt double in kung fu films.

What most struck my friend was not the disparity of this woman's choices,
but the earnestness and bad grace with which she ruminated on them. It was
almost as though she begrudged her own talents, opportunities and freedom
-as though the world had treated her unkindly by forcing her to make such a
hard choice.

Her case is symptomatic of our times. In recent years, there has grown up a
culture of discontent among the highly educated young, something that seems
to flare up, especially, when people reach their late 20s and early 30s. It
arises not from frustration caused by lack of opportunity, as may have
been true in the past, but from an excess of possibilities.
(...)
Whereas the early to mid-20s are seen as a time to establish one's mode of living, the late 20s to early 30s are often considered a period of reappraisal.
In a society where people marry and have children young, where financial burdens accumulate early, and where job markets are inflexible, such reappraisals may not last long. But when people manage to remain free of financial or family burdens , and where the perceived opportunities for alternative careers are many, the reappraisal is likely to be angst-ridden and long lasting.

Podem continuar o texto em:
http://livrosavoltadomundo.blogs.sapo.pt/24454.html

Não é que eu me considere elite nem nada de xpto\\GTI - aliás - nem me identifiquei com a maioria dos perfis mas achei piada a deparar com este texto e reconhecer imediatamente a ansiedade de que ele fala...
olá! pelos vistos não és só minha!


Thursday, April 19, 2007

bye bye martinha...

depois de uma relação de mais de 1 ano em que sempre foi tratada como familia, desaparece sem qualquer aviso nem deixar rasto.
preocupado tento contactar a familia. uns dizem uma coisa, outros dizem outra. peço contactos (o telemóvel que lhe dei estava desligado...) dizem que hão de dar, mas nunca chegam...

ao fim de mais de duas semanas manda a seguinte mensagem de um numero sul africano:
"NEu ja quti mandei mesagem a dizer quando eu chegar a maputo vou vir entregar chave peco para quardar bem o cartao que esta dentro do telfone aque. martinha"

ligo-lhe, a perguntar o que se passou.
-"foste raptada?" "estás doente?"
nada disso...
-"vim para africa do sul com umas amigas. uma aventura"
-"mas porque é que não me avisaste? tive problemas por não saber onde andavas. se pedisses eu tinha te dado férias." (se bem que ela teve 2 meses de férias - dezembro e janeiro).
- "ahh... é uma aventura"
- "bastava teres telefonado..."
- "ahhh..."

num país com um desemprego prai de 70% (o oficial é 90%), uma mãe solteira de 28 anos perde um emprego onde ganhava mais do que o salário mínimo a trabalhar 3 vezes por semana porque resolve ir numa aventura. e o que me chateia mais nem é a aventura, isso eu entendo. o que me chateia é a falta de responsabilidade. eu estava a contar com ela no dia em que ela desapareceu, confiava nela. e agora isto...

Thursday, April 12, 2007

céu no maputo

 
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há apartheid em moçambique? há sim senhor.

Não é fácil a vida de um português em Moçambique. Parece que todos esperam que me comporte como se estivesse a dever alguma coisa a alguém... Será que os meus antepassados que por aqui andaram se portaram assim tão mal? Ou será que os moçambicanos se habituaram a este estatuto de vítimas? Se sim, por vezes roçam o ridículo nesse exercício.

Para mim, que já nasci uns sólidos anos depois da indepêndencia deste pais, para mim, que vivi desde sempre com a natural convicção de que a cor da pele diz tanto sobre uma pessoa como a cor dos olhos, é particularmente complicado.

Por vezes chego a casa no final do dia completamente desgastado e sem fé. Só me apetece fazer malas e apanhar o próximo avião. Sem olhar para trás. Depois durmo bem, acordo com o Sol e volto a ter esperança que é possível trabalhar, ajudar a desenvolver o país e crescer juntos.

Por amor de Deus pá. Se um gajo levanta um bocado a voz quando um colaborador faz asneiras consecutivas isso faz dele racista? Tudo é interpretado como mau trato, como desconfiança, como ... por favor! Há limites. Moçambique é um país onde em teoria nunca houve apartheid, mas sabem o que eu acho? Acho que há apartheid hoje. Sim. Na Republica Popular de Moçambique, no dia 12 de Abril de 2007, pleno século XXI há apartheid.

Este absurdo regime é hoje, aqui, um pouco diferente. Não foca tanto os locais de convívio, mas mais as responsabilidades e atitudes de cada um. Se é preto, pode se comportar de certa forma, se é branco já tem de se comportar de outra... porra, somos todos pessoas ou não? Mais um exemplo de apartheid: sabem qual é normalmente o primeiro requisito para uma contratação? As competências? A experiência? A formação? O carácter e ética? Não... nada disso. O primeiro requisito é ser moçambicano...

Não me venham por favor, em pleno século XXI com conversas de opressão colonialista pois eu pura e simplesmente não tenho pachorra ok? Dou 200% no trabalho, numa empresa que tem como principais objectivos valorizar a pessoa e ser a referência no desenvolvimento e bem estar de Moçambique, não tenho paciência para gastar o meu latim com estas tretas. Desculpem me os que pensam de maneira diferente, para mim, estas conversas não passam de balelas... e enquanto estamos com balelas não produzimos. Porra.

Sou pragmático. Sempre fui. Às vezes acusam me de inconveniente. Que se lixe. Antes inconveniente que hipócrita.

Não conheço as universidades em Moçambique. A minha opinião, formei-a por contacto com profissionais formados 100% no país. Uma coisa é certa... ou a minha pontaria é certeira, ou um Engenheiro Moçambicano é bem diferente de um Engenheiro formado, por exemplo na Europa (que é o caso que eu conheço).

Nas escolas públicas, os programas e professores mudam constantemente ao longo do ano lectivo, não se sabe o que se vai dar e em alguns casos não se faz ideia do que já se deu.

Isto para não falar na cretinisse que é não aceitar no país uma pessoa qualificada numa área que cá não existe. Uma pessoa que assumidamente faz muita falta e iria melhorar substancialmente a qualidade do serviço do principal hospital do país, apenas porque essa pessoa não é moçambicana. Helloooooo??? Não há Moçambicanos com aquela formação e experiência. Helllllooooooo??? Os que eventualmente existam estão na Europa ou na África do Sul e não tencionam voltar a Moçambique. Hellloooooooo!!!

Os estrangeiros que cá estão não deviam ser apedrejados, deviam ser acolhidos. A nossa presença é boa para o país. Assim como eu já aprendi bastante com Moçambique, espero que Moçambique também aproveite para aprender alguma coisa comigo. É a melhor maneira de desenvolver o país.

Não estou a mandar papaias para o ar. Estou a falar de factos. Factos. Com’on bradas!

Sunday, April 01, 2007

Saturday, March 31, 2007

27...

O meu novo covil (T1) tem cerca de 30m2.
30 pessoas em 30 metros quadrados é no mínimo aconchegante...
Algumas imagens:
 

 

 

 

muito obrigado a todos pela prova de amizade... para quem não sabe, andar no meu elevador exige 1 de 3 condições:
- extremo desconhecimento das leis da fisica e da existência de um tal de sir newton;
- extrema fé em deus;
- extrema intoxicação etílica.

se puderem ser as 3 juntas, melhor!

;-)
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portugal no mundo

 

 

 


a sorte é que estava pouco vento, senão tinha umas fotos optimas da nossa bandeira hasteada ao contrario em maputo...

;-)

não vou dizer onde foi... parecia mal!
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paiol de maputo

Era um final de tarde normal. Tinha saído um pouco mais cedo do trabalho e andava com a likas nas compras.
Já há algum tempo que estava a ouvir uns barulhos estranhos.... "minding my own business" pensei que fosse trovoada.
De repente a primeira grande explosão fez com que todo o edificio onde estavamos abanasse e alguns vidros partissem... de repente todo o centro comercial debandava para a rua. Pensámos que fosse qualquer coisa no edificio onde estávamos. Demorámos largos minutos a entender o que se estava a passar... Um antigo paiol de armas estava a arder... além das potentes explosões que fizeram estragos em toda a cidade de Maputo havia ainda uma chuva de projecteis variados de artilharia a cair um pouco por todo o lado... cenário medonho...

Resultado, cerca de 500 vitimas entre as quais mais de 100 mortos.
Dias depois ainda havia 30% dos engenhos por recolher...

Medonho...
 

 

 

 


Com os explosões o caos instalou-se na cidade. De repente todos queriam ir para outros locais... as ruas entupiram completamente, os chapas (hiaces) que em portugal levam 9 pessoas e aqui normalmente levam 20 e picos, devem ter passado a levar prai 30 ou 40 pelas filas que se viam nas paragens...

No meio disto tudo, a televisão local fazia a cobertura da tragedia. Em rodapé passavam mensagens como:
"esa esplosao comeso esta atarti?" ou
"os paholes donde eque aparecem?"
"tia rosa asista TVM, xtamos a morrer no maputo... paulinha"

perolas!
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Wednesday, February 28, 2007

brutal...

http://ec.europa.eu/echo/information/library/mozambique/index_en.htm

Sunday, February 18, 2007

Samora vive

A qualidade de Moçambicano não se define pela côr. Não há minorias, há povo Moçambicano!

Publicidade! ;-)

design à la carte - www.sapoti.com

Saturday, February 17, 2007

sundowners!

 

 

o meu novo spot favorito para final de tarde em retiro é a janela do meu quarto.
tem um parapeito enorme onde dá para um gajo de sentar com uma bebida, relaxar com o pôr do sol e ainda ouvir o muesin a chamar para a oração. lindo!
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salvé aléluia!

 

uma grande praga em áfrica é a proliferação de igrejas "alternativas". o kapuscinsky faz uma descrição muito interessante deste fenómeno no ebano (leitura obrigatória!).
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Wednesday, February 14, 2007

xiiii...

1 ano em Moçambique...

:-)

jo'burg & dress code

Mais um fdsm, mais uma aventura!
Ida a Johannesburg para a festa de noivado do colega Ricardo Carvalho.

Tópicos rápidos:
- INCRIVEL riqueza;
- mercado ESTUPIDAMENTE sofisticado em sandton;
- ridicula exigência de "dress code" para entrar em todo o lado;
- vida passada 90% nos shoppings;
- rebanhos de loiras todas pintadas e cheirosas;
- vale a pena ir umas duas vezes por ano para cumprir com os rituais consumistas. mais do que isso, deus me livre;
- és branco, sais da linha -> és morto (ponto final).

Monday, February 12, 2007

Monday, February 05, 2007

aviões russos

se há algo que assombra o espírito de todo e qualquer europeu que seja minimamente instruído tecnicamente e que esteja a viver em África esse algo são os aviões russos... é mais forte do que nós.

as poucas vezes que se ouve falar desses estóicos aparelhos deixados pelos soviéticos nos tempos áureos da influência comunista aqui pelas africas é quando terminam a sua looooonga carreira com um inevitável acidente onde demonstram as leis de newton e se espetam contra o chão.

para mim, esse terror latente passou à realidade este fim de semana.
tenho de dizer que apesar da minha tensão arterial ter subido para os 18-12 no momento que os dois motores aceleram a fundo fazendo todo o aparelho tremer para descolar, o resto do voo até foi calmo.

os camaradas soviéticos eram bons engenheiros sim senhor!

fins de semana...

O vento veloz bate-me na cara acompanhado por vezes de alguns salpicos de água. Esta sensação contrasta com o calor que sinto provocado pelo impiedoso sol africano que à força tenta transformar a minha fraca pele de mulungo geneticamente pouco adaptada a estas latitudes numa espécie de tomate – pelo menos na cor...Sigo com os meus companheiros de exploração pela costa da inhaca rumo à ponta de santa maria. Objectivo: Snorkeling. De repente, reparo que lá muito ao longe, o skyline de maputo surge das águas (qual manhatan!) e apercebo-me de como é importante aproveitar os fins de semana para sair de lá. Daqui, maputo parece uma daquelas esferas com casas imersas num liquido que quando se abana simula um nevão estão a ver? Naquela esfera de homens, criada por homens e para homens, todas as forças se conjugam para nos fazer crer que nada há de mais importante que os nossos gadjets, os nossos empregos, os prazos, os objectivos... embrenhamo-nos tanto em tudo aquilo que nos esquecemos que existe um mundo fora disso... Estive um mês em maputo e já me estava a esquecer disso.
Daqui, vista a distância, por um homem que tranquilamente curte o seu fim de semana, tudo muda de dimensão a ponto de me vir à cabeça a comparação com as esferas de vidro com flocos de neve!
Vivemos tão rodeados e viciados nos nossos brinquedos e instrumentos que nos esquecemos da nossa dimensão e perdemos a nossa humildade e respeito perante o planeta. Deviam ser obrigatórias aulas de campo em educação ambiental e comunhão com a natureza... Penso que seria um bom passo para comprometer as novas gerações da importância de reduzir a nossa pegada ecológica e vários outros termos que apesar de estarem na moda, de facto são sentidos por poucos.

algumas fotos na pasta em baixo.

Arreias Mágicas!

Durante a minha ida a Beira há umas duas semanas, decidi adiar o meu voo de sexta e ficar até sábado. Assim, teria hipótese de conhecer a badalada noite desta cidade e durante o dia de sábado ainda iria conseguir chinelar um bocado pelas ruas e beber um pouco do local.
Já no final da noite, no regresso a casa, alguém se lembra que devíamos ir à praia das areias mágicas! Bem dito bem feito e cinco minutos mais tarde parávamos os carros junto a uma praia de areia branca ladeada de coqueiros de um lado e de um sereno indico do outro. Num dos extremos da praia um xarmoso farol compunha o cenário e num céu sem lua as estrelas gritavam a sua presença e tentavam competir em número com os grãos de areia da praia. Até aqui tudo normal...
O fantástico surge quando alguém exclama: “olha para o chão e arrasta os pés na areia!”
UAUUU! Minúsculas luzes cintilam por breves instantes num fenómeno que faz lembrar os organismos fluorescentes que volta e meio lá se fazem aparecer nas águas de oceanos mais quentes.
O fenómeno inspirou a conversa e ficamos um bom bocado a mexer na areia em alegre cavaqueira internacional (em 7 pessoas havia 4 nacionalidades).
Especulava o americano que o fenómeno se devia a uma grande concentração de fósforo naquelas areias (arreias em moçambicano)... alguém confere?
Químico, o que dizes?

Wednesday, January 31, 2007

Matalana

Algumas fotos de um fim de semana em Matalana – terra natal do famoso mestre Malagatana.
Estão a tentar desenvolver um projecto interessante nesta aldeia, um centro cultural com sessões de contos tradicionais, danças, etc.
Ficam as fotos.

Monday, January 29, 2007

Tendas no Deserto!

Instalámos-nos para passar a noite.
Desembarcamos cinco ou seis caixotes, colocando-os em círculo, vazios como guaritas.
e, dentro de cada um, uma vela acesa, mal protegida contra o vento.
Assim em pleno deserto, sobre a crosta nua do planeta,
num isolamento dos primeiros dias do mundo
NÓS CONSTRUIMOS UMA PEQUENA ALDEIA DE HOMENS

(...)

Contávamos as nossas recordações,
riamos e cantávamos
sentíamos a mesma alegria leve
QUE SE SENTE NUMA FESTA BEM PREPARADA...

Contudo éramos infinitamente pobres.
Vento...
Areia...
Estrelas...
UM ESTILO DURO ATÉ PARA TRAPISTAS...

Mas sobre esta toalha de areia mal iluminada,
seis ou sete homens que não possuíam mais nada no mundo alem das suas recordações...
PARTILHAVAM ENTRE SI INVISIVEIS RIQUEZAS.
(Saint Exupéry)


óoo malta! as saudades que eu tenho das nossas aventuras pelo deserto...
um grande abraço aqui do hemisfério sul. Se forem à Libia, têm de prometer (sob pacto de sangue) que voltam lá comigo quando eu voltar para PT.

Monday, January 15, 2007

o imortal...

Quero aqui anunciar que vivo hoje um dia muito triste... fiz algo que nenhum homem devia ter de fazer...

vendi o meu imortal...

foram várias as aventuras e apesar de ter passado algumas horas a dar lhe mimos, nunca me deixou mal. NUNCA!

Imortal, se me ouves perdoa-me! Estamos juntos! Que sejas muito feliz nas mãos do teu novo dono criador de gado em Marracuene e que ele te dê finalmente a vida calma que mereces. Paz!

De Moçambique à contracosta... & back!!!

Finalmente algumas fotos da mega viagem pela Africa do Sul, Zimbabwe, Zambia, Namibia e Botswana! O relato há de vir a seu tempo.

É só picar em cima da foto e depois -> "slideshow"

Saturday, December 30, 2006

turismo responsável

Certo dia, estava a contar as aventuras de uma viagem que tinha feito ao longínquo Nordkapp quando a minha ouvinte/interlocutora, respeitável representante de uma geração mais antiga, exclama, “esta geração sente uma enorme nostalgia de aventura”.
Na altura, pouco liguei a esta afirmação, mas, efectivamente, a maioria de nós vive em razoável equilíbrio, com as necessidades básicas asseguradas. A sociedade impõe-nos um pacote de preconceitos e oferece-nos uma estrutura social escrupulosamente organizada, o que não nos dá grande margem para voos aventureiros ou actos heróicos. De facto, longe da luta pela sobrevivência dos nossos ancestrais antepassados e das lutas políticas e estudantis dos anos 70, temos de procurar outras aventuras, outras formas de conseguir a viciante e amada adrenalina!
Para uns, são os desportos radicais, para outros, as motos, os carros, a pesca, a noite, a dança, e para outros, pasmem-se,... o trabalho.
Quanto a mim, o que me desafia e dá adrenalina (daquela tipo long drink e não em shot) são as viagens. Mas viajar não é, para mim, atravessar o mundo e ir enterrar a cabeça na areia de uma qualquer estância “exótica” de luxo. Viajar, como apreciar um bom tinto, implica escolher, cheirar, beber, saborear, deixar que se difunda em nós e, por fim, assimilar o que interessa e eliminar o que não. Novamente, como um bom vinho viajar por vezes sabe bem só porque sim. Mas na maioria dos casos, deve ser tido como complemento de algo.
De facto, sempre que fui de férias só por ir de férias, não consegui a completa catarse do cansaço e dos problemas do ano. Por isso, durante o ano procuro desenvolver um projecto a executar (/desenvolver) nas férias. Normalmente, em conjunto com um grupo de amigos, escolhemos/ traçamos um objectivo, estudamos a sua viabilidade e, depois, deliciamo-nos com os preparativos. Os desafios são tantos que, durante o mês das férias, nem muito ao longe me passam pela cabeça os problemas do trabalho, da família ou da universidade.

Claro que também me sabe bem o dolce faire niente, mas para isso não é preciso ir para o outro lado do mundo. Acreditem! Em Portugal, somos muito bons nessa arte. Basta um fim-de-semana sem stress, junto ao mar, com um bom livro e... já está!

Já para férias “a sério”, ajudar a restaurar templos budistas na Mongólia, contribuir para a preservação de uma barreira de recife, ou atravessar o Sahara numa complicada missão logística para entregar medicamentos no Senegal são interessantes exemplos de actividades que se podem desenvolver.

Com base na minha (ainda) curta experiência, descobri que vivemos muito de estereótipos, de preconceitos e de mitos impostos pela comunicação social. O mais assustador é que, apesar de cada vez viajarmos mais, pouco aprendemos sobre os locais para onde vamos. Limitamo-nos – como dizia Miguel de Sousa Tavares – aos programas de alegria programada e de felicidade comprada a prestações onde só vemos/conhecemos o que nos querem “vender” e, no fundo, não aprendemos nada sobre as comunidades locais, a sua cultura, os seus problemas… até a economia local é pouco estimulada, pois o grosso dos lucros vai para as estâncias de luxo de grandes grupos financeiros.

A alternativa, baptizada por outros povos – talvez mais conscientes – de turismo responsável, baseia-se em oferecer algum do nosso tempo e talentos, contribuindo para o desenvolvimento de um projecto social, cultural ou ecológico num país com poucos recursos. Esta abordagem é também muito enriquecedora para o turista que, desta forma, ingressa efectivamente numa comunidade, apre(e)nde o lugar, a sua cultura e suas gentes.
Estas experiências mudam o modo como vemos o mundo e levam, por vezes, a importantes descobertas sobre nós próprios. O que experimentamos e aprendemos fica totalmente imiscuído/imbuído em nós, influenciando o modo como vivemos, pensamos, sentimos... e em sentido mais lato, alterando a nossa filosofia de vida.

Se muitas pessoas entenderem esta visão, os resultados poderão ser assinaláveis. (OU: Quanto mais pessoas interiorizarem o verdadeiro significado da palavra ‘viajar’, mais assinaláveis poderão ser os resultados das viagens…)
Os interessados poderão utilizar o potencial da Internet para procurar mais sobre o assunto.

Sunday, December 10, 2006

kanimambo ICEP, kanimanbo UE, kanimanbo moçambique, kanimambo...

O contacto é a melhor coisa que pode acontecer ao típico recém licenciado português. (ponto final paragrafo)

Tudo o que é bom tem um fim... agora, um mês de viagem, natal em casa e às primeiras horas de Janeiro embarco novamente moçambique para um novo desafio!

ACABOU O CONTACTO, PAZ!

Thursday, November 09, 2006

the life!

sair do trabalho - depois de aturar mais do que queria e do que devia - ir a um prédio recôndito, passar uma porta e saltar de áfrica para a ásia!
num passo estou na china! chineses a falar inglês com aquele sotaque no mínimo cómico, TV num canal chinês, revistas chinesas, etc. tudo gritava >>>CHINA!<<<, desde os dragões ao cheiro a bálsamos! depois, deitar numa cama rija e levar uma massagem de corpo inteiro durante uma hora!
boooooooommmmmmmmmm!
cereja no topo do bolo: a runga, massagista, ainda me leu a sina e diz que vou ter uma vida longa, prospera, com muito sucesso no trabalho e no amor! um luxo!

é um bocado coisa de yuppie, mas lá que soube muito bem, isso é um facto!
a vida em maputo tem momentos lindos...

Wednesday, November 08, 2006

adeus ò vai-têmbora!

Entre as 18 e as 24 horas do dia 8 de Novembro da graça de 2006 alguns amigos passaram pelo Piri Piri para desejar à minha pessoa, ao Imortal e ao Sr. Meu Pai uma mega viagem até à Namibia (& back)! Muito obrigado a todos! Bem hajam!
Aqui fica o resumo:

68 laurentinas
10 pregos no pão
7 cafés expresso
6 pratos de tremoços
1 sandes de queijo
2 moelas
1 sprite
1 pãozinho
2 rissois
2 pregos no prato
1 tosta mista
1 omolete de camarão
1 tosta de galinha
1 sandes de carne assada

=)

nota: claro que não vou viajar já. Só no final do estágio. Esta despedida simbólica foi agora porque há muita gente a debandar de Maputo e uma despedida sem ninguem não tinha piada nenhuma...

Monday, November 06, 2006

África minha!

que maravilha de filme...

como é que eu ando com áfrica na cabeça e mephaquin no sangue à tantos anos (bom, não são assim tantos, mas alguns...) e nunca tinha visto este filme?

Sunday, November 05, 2006

Friday, November 03, 2006

dancing for sweeties - por: elisa santos


Do barco à praia há uma estrada. Percorre-se uma língua de areia e pântano que separa o rio do mar e que nos há-de mostrar o Índico, orlado de areia fina e casuarinas

A estrada é má, muito má!
A estrada tem buracos fundos, crateras, que em tempo seco se tornam ultrapassáveis, mas que ao primeiro sinal de chuva se tornam tão pantanosos como os campos que ladeiam a estrada.

Mais à frente a estrada é de areia. Areia fofa, onde se enterram os pneus e de onde só tractores e carros potentes, de tracção às quatro rodas, manejados por condutores experientes, conseguem sair.

A estrada má esconde pequenos caminhos que levam a aldeias de gente que não tem carro e que calcorreia a vida e a estrada a pé. Gente negra, de pele curtida pelo sol, de olhar empoeirado pela areia, pelo sal, pelo sol e pela pobreza, coisas próprias do sítio onde vive.

Na estrada má apenas se distingue uma construção que deixa ler, de forma baça, o nome de uma loja. Desfeita por muitos dias, indefinida entre a ruína e a ainda existência é coerente também na sua função. É uma loja, indefinida entre a ruína e a ainda existência, que serve a gente que mora nas aldeias escondidas.

A estrada má não tem vergonha.

Tem muito trânsito ao fim de semana. Carros bonitos, potentes, de marcas conhecidas, cheios de gente feliz que se arrisca na aventura da lama e da areia para expor o corpo ao sol e ao mar. Nos carros viajam pessoas claras, brancas de pele e de cuidado, com os olhos brilhantes de excitação, de desejo de mais paisagens e de fartura, coisas próprias do sítio onde vivem.

Os negros que moram nas aldeias escondidas da estrada má e as pessoas claras que viajam de carro, têm uma enorme cumplicidade e vivem o equilíbrio de um ecossistema.

Os negros pedem boleia, e se lhes recusam eles equilibram-se, à revelia e de forma camuflada, na traseira dos carros bonitos, potentes, de marcas conhecidas.

As pessoas claras enchem-se do fascínio da existência dos negros e assim apanham boleia nas vidas deles para se sentirem a viver na rudeza e na agressividade do meio.

A estrada má não tem vergonha.

Exibe um espectáculo, de nome internacional, especialmente preparado, e que sustenta o equilibrado ecossistema das dunas e pântanos.

Dancing for sweeties começa logo depois dos primeiros metros de aventura, a seguir aos primeiros buracos profundos. Na beira da estrada espalham-se, ora à esquerda, ora à direita, grupos de ágeis bailarinos, mínimos de idade e de corpo, que fazem movimentos ondulantes, africanos, tribais. Não tem o espectáculo outra música que não seja a do motor dos carros bonitos, potentes, de marcas conhecidas; o ritmo é secreto, só percebido pelos bailarinos, que com os pés vão levantando a poeira que lhes caracteriza o olhar, o corpo e as roupas encardidas e desfeitas. Mas tem letra! Simples e facilmente inteligível: “sweeties, sweeties…”

O espectáculo desenrola-se depois com uma corrida dos bailarinos ao lado dos carros, gritando a letra, e com a participação das pessoas claras, brancas de pele e de cuidado, com os olhos brilhantes de excitação, que vão atirando doces e bolachas pelas janelas dos carros bonitos, potentes, de marcas conhecidas.

Na estrada má, que não tem vergonha, de vez em quando surgem outros artistas que tentam a sua sorte, uma espécie de espécie menor que tenta sobreviver no ecossistema.

São artistas mais velhos, de carreira já terminada, cujo número é tapar as crateras da estrada com pedaços de lama, e por tal pedem sweeties, other sweeties . Ou outros ainda, que fazem lembrar atracções de circo decadente, que expõem mazelas na esperança de que os aplausos surjam em forma de quaisquer sweeties.

Quando a estrada má termina na praia, estacionam-se os carros bonitos, potentes, de marcas conhecidas, e a gente feliz ocupa a praia. Os negros já não dançam, a reprise será mais tarde na hora de regresso a casa, pela estrada má.

Eu, que viajo num carro bonito, potente, de marca conhecida, acompanhada por pessoas brancas e de pele clara, pressinto o sabor amargo que nos invade a boca e nos raspa a língua. Os olhos que seguem ao meu lado cravam-se nos meus e respondo-lhe:
“I hate dancing!
I hate sweeties!”